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Coronavírus: entenda mais sobre o novo vírus

27 de janeiro de 2020
Coronavírus: entenda mais sobre o novo vírus

Esta publicação está em atualização – Última atualização em 12/02/2020 às 15h06

Um novo vírus que ataca o sistema respiratório e se espalhou rapidamente na região de Wuhan, na China, preocupa a população mundial. Ele foi renomeado para Covid-19 e pertence à família dos coronavírus – conhecida desde meados de 1960 – um grupo que reúne desde agentes infecciosos que provocam sintomas de resfriado, até agentes que provocam manifestações mais graves – como os causadores da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).

Segundo Celso Granato, infectologista do Fleury Medicina e Saúde, estamos falando de uma ampla família de vírus, que atacam praticamente todas as espécies – de répteis a mamíferos.


Confira mais detalhes sobre a família dos cornavírus 


Como surgiu o novo coronavírus

De acordo com investigações ainda em andamento, o novo coronavírus pode ter sido originado em serpentes ou morcegos. Um estudo chinês também encontrou uma relação do novo coronavírus com cobras, mas a verdade é que não existe ainda um consenso entre os cientistas sobre a origem da doença.

Coronavírus diferentes podem sofrer mutações e se recombinar, dando origem a agentes inéditos. Assim como podem transitar entre diversas espécies de animais (seus hospedeiros) e eventualmente chegam aos seres humanos.

Com as palavras de Celso Granato, em matéria de janeiro de 2020 da revista Saúde Abril, a transmissão “é um processo que tem semelhanças com o que acontece na gripe. Na gripe suína, um porco pegou o vírus de aves e, na recombinação de vírus diferentes dentro do animal, surgiu um H1N1 que conseguiu passar para os seres humanos”.

Transmissão

Portanto, tudo leva a crer que o novo coronavírus tenha sido originalmente transmitido para o ser humano de um animal e ainda esteja no processo de evolução e adaptação. Mas a disseminação de pessoa para pessoa – a contaminação por contato – também já está ocorrendo.

Seguindo o padrão dos coronavírus, e a perspectiva de o agente aperfeiçoar sua propagação entre os humanos, é importante ficarmos atentos para as principais vias de transmissão. De acordo com o pneumologista Elie Fiss, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC, os coronavírus normalmente são transmitidos pelo ar, por meio de tosse ou espirro, contato pessoal próximo ou com objetos e superfícies contaminadas.

Produtos importados da China podem conter coronavírus?

O CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – afirmou que não há, até agora, nada que indique qualquer risco associado à importação de produtos da China. Mas estão monitorando a situação e garantem que qualquer informação nova sobre o caso será incluída em suas recomendações (disponíveis em inglês neste site). O Ministério da Saúde ainda afirma que não há nenhuma evidência de que produtos enviados da China para o Brasil tragam o novo coronavírus e argumenta que os vírus não costumam sobreviver por muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego dos produtos enviados de outro país pode demorar até meses.

A infectologista Nancy Bellei, consultora para a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professora na Unifesp, diz que não há risco de infecção nestes casos. Segundo o médico Drauzio Varella, o vírus só é transmitido entre humanos e não sobrevive mais de 24 horas fora do organismo humano ou animal. Ele ainda ressalta que “você pode, sim, comprar produtos chineses à vontade.”

Emergência global

Na última quinta-feira (30) de janeiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como emergência pública global o surto de coronavírus. Segundo a OMS, essa classificação é usada para epidemias que exigem reação preventiva mundial, como nos casos da gripe H1N1 em 2009, e do vírus zika em 2016. Além disso, a declaração de emergência global permite que os países façam esforços sanitários, financeiros e científicos na contenção do surto.

Até o momento, a situação foi declarada como emergência global justamente com o intuito de permitir que outros países estejam preparados para o recebimento da doença, evitando uma maior disseminação do vírus. Tweets da World Health Organization (WHO) citam as palavras exatas do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa:

“Nós não sabemos que tipo de dano o #2019nCoV vírus pode causar caso venha a se espalhar em um país com um sistema de saúde mais fraco (comparado ao da China).  Nós precisamos agir agora para ajudar os demais países a se prepararem para essa possibilidade.

Por todos esses motivos, estou declarando como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional o surto global de #2019nCoV.”

Mesmo com a decisão de classificar o surto de coronavírus como emergência global, a OMS optou por não recomendar medidas restritivas de viagens ou de comércio com o país asiático. Pesquisadores e autoridades de saúde continuam mobilizados em entender melhor o comportamento desse agente infeccioso para evitar sua disseminação geral.

Sintomas

Até o momento, estão sendo considerados como casos suspeitos do novo coronavírus pacientes com sintomas como febre, tosse e dificuldade para respirar.

Com a amplitude da região de risco, toda a China, pessoas vindas desta localidade nos últimos 14 dias e que apresentem os sintomas listados ou terem tido contato próximo com um caso suspeito ou confirmado podem ser considerados suspeitos.

SITUAÇÃO 01SITUAÇÃO 02SITUAÇÃO 03
Febre E pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar) histórico de viagem para área com transmissão local, de acordo com a OMS, nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas; OUFebre E pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar) histórico de contato próximo de caso suspeito para o coronavírus nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas; OUFebre OU pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar) E  contato próximo de caso confirmado de coronavírus em laboratório, nos últimos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais ou sintomas.

Sobretudo, o novo coronavírus causa, em geral, sintomas respiratórios mais leves que os da SARS e da MERS. Por enquanto sua letalidade também é menor que a associada entre essas outras duas doenças pertencentes a família viral coronavírus.

Como se proteger

A primeira medida de prevenção é evitar viajar para a região da China, bem como outras cidades que possam vir a alojar surtos.

Posteriormente, as medidas gerais de prevenção para reduzir o risco de adquirir ou transmitir doenças respiratórias em geral também funcionam como medida preventiva para o coronavírus. Confira um post do Ministério da Saúde com todos os cuidados essenciais para reduzir o risco de infecções:

Diagnóstico

Segundo o site oficial do Ministério da Saúde no Brasil, o diagnóstico do novo coronavírus é feito através da coleta de materiais respiratórios com potencial de aerossolização (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro).

É necessária a coleta de duas amostras na suspeita do coronavírus. As duas amostras serão encaminhadas com urgência para o Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN). Uma das amostras será enviada ao Centro Nacional de Influenza (NIC) e outra amostra será enviada para análise de metagenômica.

Para confirmar a doença é necessário realizar exames de biologia molecular que detecte o RNA viral. O diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de amostra, que está indicada sempre que ocorrer a identificação de caso suspeito. Orienta-se a coleta de aspirado de nasofaringe (ANF) ou swabs combinado (nasal/oral) ou também amostra de secreção respiratória inferior (escarro ou lavado traqueal ou lavado bronca alveolar).

Tratamento do novo coronavírus

Ainda não existe um tratamento específico para as infecções causadas por coronavírus humano. No entanto, no caso do novo coronavírus, é indicado repouso e alto consumo de água.

Além disso, existem algumas medidas que podem ser adotadas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, como, por exemplo:

– Uso de medicamento para dor e febre (antitérmicos e analgésicos).

– Uso de umidificador no quarto e/ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garanta e tosse.

Obs.: Assim que os primeiros sintomas surgirem, é fundamental procurar ajuda médica imediata para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento.

Qual a diferença entre gripe e o novo coronavírus?

Por conta dos sintomas, essa tem sido uma dúvida muito comum entre as pessoas. Mesmo não existindo grande diferença relacionada aos tipos de sintomas no início da doença, o novo coronavírus costuma afetar o trato respiratório inferior.

Ou seja, coriza e dor de garganta são sinais típicos de infecção respiratória do trato superior. Portanto, aqueles que têm crises de espirros ou nariz escorrendo provavelmente têm gripe ou resfriado comum.

Já com o novo coronavírus geralmente afetando o trato respiratório inferior, a maioria dos infectados apresenta tosse seca, falta de ar ou pneumonia, mas não dor de garganta.

Áreas de transmissão

Até o momento, está sendo considerada como área de transmissão toda a China.

No entanto, as áreas com transmissão local serão atualizadas diariamente e disponibilizadas no site do Ministério da Saúde de acordo com as informações da OMS por meio do endereço saude.gov.br/listacorona.

Coronavírus no Brasil

O Ministério da Saúde realiza monitoramento diário da situação junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), que acompanha o assunto desde as primeiras notificações de casos em Wuhan, na China, no dia 31 de dezembro de 2019.

Até o dia 12/02/2020, nenhum dos casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus no Brasil foi confirmado. Portanto, não possuímos transmissão ativa da doença.

Ainda assim, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na segunda-feira (03/02), juntamente do governo federal, anunciou ter decidido decretar uma situação de emergência no Brasil em meio à epidemia de coronavírus – mesmo sem a confirmação de um caso no país.

No início da semana anterior, a classificação havia subido do nível 1 (de alerta) para o nível 2 (de perigo iminente) após serem anunciados casos de suspeita em território brasileiro.

O terceiro e último nível (de emergência de saúde pública) costuma ser adotado quando, de fato, existem casos confirmados dentro do país. Mas de acordo com Mandetta, a medida é um “ato discricionário” seu e é necessária para fazer contratações emergenciais, sem a necessidade de licitações, e assim tomar medidas preventivas para preparar o país para receber os brasileiros que serão trazidos da China e mantê-los em quarentena, por exemplo.

O Ministério da Saúde também instalou o Centro de Operações de Emergência (COE) – novo coronavírus que tem como objetivo preparar a rede pública de saúde para o atendimento de possíveis casos no Brasil. O COE é composto por técnicos especializados em resposta às emergências de saúde pública. Além do Ministério da Saúde, compõe o grupo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Evandro Chagas (IEC), além de outros órgãos. Desta forma, o país poderá responder de forma unificada e imediata à entrada do vírus em território brasileiro.

Mapa em tempo real

A Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, criou um site com atualizações diárias sobre o coronavírus. Os dados vêm da OMS, do Centro de Controle de Controle e Prevenção de Doenças (EUA) e das autoridades sanitárias dos países com casos confirmados. Confira abaixo:

Em horas como essa, é importante que fiquemos atentos às notícias e que procuremos fontes confiáveis de informação – como o site do Ministério da Saúde que promete ser atualizado diariamente com mais informações sobre o vírus.

Esperamos que essa matéria tenha lhe ajudado com suas dúvidas. Fique de olho nos jornais e nas redes sociais do governo para maiores informações.

Fontes: Ministério da Saúde, Saúde Abril, UOL, O Globo, BBC e G1.


Confira nossa matéria – Higiene: o primeiro passo para prevenir doenças


 

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